Eu não sei se ainda está aqui, já faz alguns meses… imagino mesmo que não esteja, mas me ouça mesmo assim. Essa é a última visita que lhe faço, vim avisar que as cores voltaram, mas isso não lhe isenta a culpa.
Quando se foi assim, não pensou em todas as sombras que estava deixando pra trás, largadas. Nós, de cá, tínhamos planos, projetos os quais você era alicerce. O senhor desmoronou muitos dias felizes que ainda íamos viver. Não se deixa assim, à míngua, pessoas cultivadas por anos.
Não digo que os dias agora são feios e sem brilho, mas é inegável que você não pensou em avisar ninguém que ia parar de compor a vida conosco. Eu lhe tenho gratidão pelos dias com vida, pelas alegrias todas, as canções em coro, as belas paisagens. São realmente muito belas as lembranças. Mas os tempos agora são diferentes e tenho saudades.
Essa é a última visita que lhe faço, as cores voltaram e não há motivos para vir até aqui tentar te reaver de alguma forma. Você não voltará.
Diante disso, deixo aqui, nesta última rama de flores, minhas lágrimas e também um conselho, meu velho. Caso se vá novamente, não se esqueça de sair sem dilacerar. Não digo para se tornar frio e distante antes de sumir, não faça isso. Peço sim que ensine aos que convivem contigo a sorrir sem você do lado. Ensine-os que a felicidade existe depois de sua partida, pois aprender isso sozinho me custou um aperto no peito que me deixou completamente sem mundo. Enfim, por onde andar, meu amigo, ame e se faça amar. Faça-se amar sempre, mas, acima de tudo, liberte os que te amam antes de morrer. Esteja em paz.
Sublime a composição que faz, e que nos leva a viajar em cada palavra. Você escreve muito bem!
Ê Fer!