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Archive for the ‘Versos’ Category

Poesia excreta

Eis o tempo da poesia excreta,
poesia refúgio, lugar
de choro do poeta.
Escrever é vomitar.

O eu lírico está morto!
O que temos é a dor
de um ser torto
que se diz escritor.

Eis o tempo da poesia excreta,
versos sem intenção.
Ouça o que digo, poeta:
falta-lhe a imaginação!
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Oração para o tempo

Que do ontem eu traga a flor
perfumada da experiência.
Que o amanhã não seja uma existência
murcha, machucada e sem cor.

Peço às feridas que insistem em doer
que fiquem mais um pouco a sangrar,
pois ainda é preciso aprender,
mas que ensinem e voltem a andar.

Que o tempo não corra disparado,
para que, quando eu decidir
parar um pouco e sentir,
eu não me perca no passado.
Mas que também não seja lento,
pois tenho em mim cravada
a sede de novo vento.

Que, por fim, eu possa saber
que o meu próprio tempo segui,
podendo olhar pra trás e dizer:
Eu vivi.

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